segunda-feira, 3 de novembro de 2014

SAUDADE…

                                                         
                                                                                      “CAMINHO DE INFÂNCIA”
Em São João da Reserva-São Lourenço do Sul
70 X 80
Nos meus 10, 11, 12 anos, por aí, íamos todos,  a mãe e cinco filhos passar uns dias na casa da Tia Lídia na Reserva, um lugar perto de casa. Íamos de ônibus, descíamos numa esquina, a uns metros deste lugar, e dali , só a pé...e passávamos por aqui...
 Aqui, embaixo era uma sanga, é ainda, este lugar existe, muita gente deve conhecer...


Ficávamos dias lá! Nunca notei nenhuma cara de descontentamento da Tia! Se fosse hoje em dia, uma cunhada  e uma ninhada, acho que apareceria uma expressão de desagrado, uma recusa...Naqueles  tempos era só alegria, histórias, causos, muitas  camas num quarto grande e muitos travesseiros de pena.  A mesa do café da manhã  tinha bolachas com uns enfeites coloridos, e prateados... Grandes galpões cheios de sacos e sacos de amendoins e outros com cebolas em réstias bonitas, bem douradas... caminhadas até uma sanga muito longe  através de  campos e vacas e cavalos!!! Naqueles campos eu pensava que um dia voltaria e levaria a pessoa que seria o amor da minha vida. E voltei mesmo, anos mais tarde, mas notei que, esses lugares de infância, esses pensamentos e amores que  idealizamos nesta época, ficam lá, até hoje, num  pressentir e “sentir”  que nunca são inteiramente realidade... São só um jeito de imaginar!!!


Hoje refiz essa postagem porque achei esse texto abaixo, que tem tudo a ver com o meu. 


SAUDADE…
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre… Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite….
Que saudade do compadre e da comadre!
José Antônio Oliveira de Resende.


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